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Há uma máxima em alguns cursos das principais universidades públicas do Paraná de que no vestibular, os candidatos já sabem: metade das vagas é dos descendentes de japoneses.
Esta máxima nasceu baseada em números. Em 1987, por exemplo, os nikkeis conquistaram 60% das vagas do curso de odontologia na Universidade Estadual de Londrina. No mesmo ano, no curso de contabilidade, eles ficaram com 40% das vagas; em enfermagem, 55%; em agronomia, 38,4%; em engenharia civil, 41,1%. Em medicina, o curso mais concorrido da UEL, os descendentes de japoneses mantém uma média de aprovação em torno de 24%, nas últimas décadas.
Estes números confirmam o que as pessoas fora da colônia percebem. Os japoneses e seus descendentes sempre deram muito valor à educação. ''Isso não significa que os japoneses são mais inteligentes do que as outras pessoas'', diz Akio Acyoia, contador e gerente administrativo da Cooperativa Integrada de Londrina. ''Por terem uma educação mais rígida, os japoneses são dedicados, inclusive nos estudos, o que acaba refletindo na sua vida profissional. São pessoas que gostam de ler, de participar de palestras, de aprender'', comenta ele.
E isto vem de muitos anos, desde que o navio Kasato Maru chegou a Santos, em 1908, e trouxe o primeiro grupo de japoneses para o país. Bem educados, tímidos e muito disciplinados, eles foram se espalhando por vários estados, mas principalmente, no interior de São Paulo e do Paraná. Só na região de Londrina, estima-se que moram mais de 50 mil descendentes de japoneses.
Da culinária à arquitetura, da moda à decoração, os descendentes de japoneses vêm contribuindo muito e sempre para cultura brasileira.
E uma das atividades profissionais preferidas por eles é a contabilidade. Em Londrina há um grande número de japoneses na atividade. ''Há escritórios com mais de quatro décadas funcionando'', diz o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro. ''Na área de contabilidade eles têm uma participação expressiva, são muito detalhistas'', afirma Ribeiro.
O contador Eihite Matsumoto diz que começou na profissão influenciado por um contador, também japonês. ''Eu o admirava muito. Um dia nós conversamos sobre contabilidade e eu nunca mais quis fazer outra coisa''. Matsumoto tem até uma teoria sobre o motivo de tantos contadores serem japoneses. ''Dizem que o japonês gosta muito de matemática, que se dá bem com números, talvez seja
este o motivo'', acredita Matsumoto.
Para Hideo Nakayama, contador há 40 anos em Londrina, a profissão de contador é uma das áreas mais férteis para se trabalhar.''Se houver vontade, a pessoa não fica desempregada. Há muita demanda nesta atividade'', confirma
Nakayama.
Segundo José Ribeiro, seria importante aproveitar as comemorações do Imin 100 e a vinda de tantas autoridades japonesas para as festividades para estreitar os laços comerciais entre os dois países. ''Brasil e Japão têm laços muito fortes de amizade. Primeiro vieram os japoneses para trabalhar e viver no nosso país agora são seus descendentes que vão ao Japão para trabalhar e buscar uma vida melhor. Precisamos aproveitar esta integração cultural e traduzi-la também em maior integração comercial e de cooperação tecnológica.
Fonte: Folha de Londrina
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