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Não vamos discutir se o DNA tupiniquim, amante do luxo, dos folguedos e do cauim, seria capaz de gerar uma pessoa da grandeza de um Francisco de Assis. Mas se por distração da providência, FA fosse brasileiro e vivesse nos nossos dias, certamente comandaria, paralelamente a suas atividades religiosas, uma organização do terceiro setor; primeiro, para atender a nossa legislação; segundo, para facilitar a captação de recursos e dar eficiência a suas obras. Gente pobre, carente, doente e sem perspectivas é que não faltaria. Madre Teresa de Calcutá, nossa contemporânea, que se dedicou a missão semelhante, foi e continua sendo uma bênção para muitos países que não dão conta dos seus graves problemas sociais, valendo-se de princípios e canais de assistência social. Tomemos exemplos mais próximos. A antropóloga Ruth Cardoso, que faleceu há pouco, responde pela criação, durante o governo do seu esposo, Fernando Henrique Cardoso, do programa Comunidade Solidária, organização da sociedade civil de interesse público, que desenvolveu célebres ações de combate à exclusão social, à pobreza e às desigualdades, mobilizando recursos para alfabetizar, capacitar para o trabalho, incentivar a população à participação cidadã, à solidariedade e à ética. Zilda Arns, por sua vez, há pelo menos 20 anos, lidera lutas contra a desnutrição e a mortalidade infantil, na Pastoral da Criança, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Por esse belo trabalho já foi indicada três vezes ao Prêmio Nobel. É interessante notar que o Brasil é um dos países onde mais surgiram organizações e iniciativas desse setor que se define como terceiro, para diferenciar do primeiro – o Estado, o governo, a administração pública – e do segundo – as empresas, o capital, o mercado, a iniciativa privada. A tendência é bem-vinda e mereceria até comemoração, denotando que a sociedade brasileira não fica de braços cruzados diante das carências humanas à sua frente, criando associações para atender crianças e idosos abandonados, sem-teto, alcoólatras, drogados, doentes terminais, deficientes, entidades que procuram enfim cercar todo tipo de desamparo. Há também as muitas Organizações Não Governamentais defendendo causas sociais. A primeira consideração extremamente séria é como e por que o Estado, criado para essa finalidade, não consegue dar conta dos problemas sociais. A questão é que não poucas entidades que nasceram para suprir essa omissão, sem fins lucrativos, beneficentes ou similares não são exatamente não-lucrativas ou trabalham em missão franciscana, unicamente pelo amor ao próximo, mas, aproveitam-se do sentimento de solidariedade reinante para extorquir a sociedade. Da mesma forma, muitas ONGs aproveitam-se das facilidades de acesso a recursos públicos para desviá-los. Foi até criada uma CPI no Congresso para investigar fraudes de ONGs. Obviamente, antes de qualquer outra conclusão, precisamos aperfeiçoar os conceitos e as práticas, os mecanismos de fiscalização e prestação de contas do terceiro setor, parceiro do Estado e da iniciativa privada na solução dos problemas sociais.
*Contador, empresário da contabilidade e presidente do CRCPR; e-mail:
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Fonte: Env. pelo Autor
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